Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Último dia no Ceará

Hoje acabaram-se as visitas às famílias beneficiadas pela ONG Eu Quero Ajudar. Estamos todos muito cansados e, ao mesmo tempo, muito felizes com todo o trabalho realizado.
Conseguimos a parceria de uma empresa e de uma cooperativa de artesanato para a conclusão do projeto de artesanato para as mulheres de Jaguaruana-SP. Estamos próximos de realizar o sonho da sustentabilidade da região mais carente que ajudamos: Córrego do Machado.
O dia começou com reunião com um dos candidatos a prefeito do município, é a empresa dele quem vai patrocinar o projeto. Entramos em comum acordo que nem a ONG nem o apoiador irá de apropriar de maneira indevida do projeto. Eu torço para que dê certo isso.
Política aqui é muito delicada viu....as pessoas vendem o voto muito fácil, não dá para confiar em todo mundo, assim como em qualquer outro lugar, mas aqui é diferente, as pessoas vendem voto para comer. Hoje uma senhora me disse que dorme para esquecer a fome.
Mas felizmente existem também alguns moradores com um pouco mais de consciência social, aqueles que se ajudam e que de um modo ou de outro tetan driblar as malícias de um jogo político muito sujo, mas não quero me aprofundar nesse assunto...
Importante mesmo é dizer que nesta viagem vimos de tudo um pouco, em algumas horas me alegrei ao ver jovens protagonistas que podem mudar o futuro da região, em outras chorei muito por ter que estar frente a frente com alguém me dizendo estar com fome sem poder colocar a mão da carteira e dar dinheiro para que a pobre mulher pudesse comer.
Mas eu sei que não é assim que vou conseguir mudar as coisas, essa viagem no meio do ano quando tive que ficar um tempo longe do meu trabalho que tanto gosto me serviu para renovar as forças e ir de encontro ao que acredito que ser parte do meu destino: ajudar as pessoas.
Ainda vou postar no blog alguns vídeos e audios que não deu para colocar aqui (a internet é muito lenta). Agradeço todos que visitaram esse blog enquanto estive fora e convido-lhes a dividir essa idéia maluca comigo: Nós conseguimos mudar esse mundo!
Abraço para todos!
Vanessa Espíndola
vaespindola@gmail.com

Sábado, 12 de Julho de 2008

Entrevista na casa de Francisco


Comecei o dia de hoje com uma frase na cabeça: "Existem mais coisas entre o céu e o mar do que julga noss vã filosofia..não sei se é bem assim mesmo a frase, mas ela expressa tudo o que aconteceu no meu dia hoje.

Entrevista na casa de Dona Joana



A pobreza da região e o contraste das diferenças sociais são de deixar qualquer um que tenha uma vida digna totalmente revoltado. Ao aplicar as pesquisas com as famílias da serra, entrevistei Dona Antonia que me disse dormir para esquecer a fome, por muito pouco não tirei meu próprio dinheiro do bolso e dei para a pobre mulher....

Seu Francisco e Dona Joana



Coisas que não dá para imaginar que ainda existam neste Brasil acontecem por aqui. O sentimento de revolta é inevitável, mas não dá para desistir e nem reclamar sem fazer nada, é preciso colocr a "mão na massa".

Colocar a mão na massa e dizer não as desigualdades sociais, aos políticos corruptos e ao comodismo que nos impede de perceber que no nosso país existem pessoas dormindo para esquecer da fome.

Hoje lembrei muito da minha mãe, ela que sempre nos disse ue não sabemos o que é a fome quando reclamávamos a toa...(Mãe Beijo)

Termino esse post muito cansada e deixo aqui algumas fotos de pessoas que me fizeram chorar e ao mesmo tempo, encher o coração de coragem para buscar um país melhor!

No caminho da serra...





Vanessa Espíndola
vaespindola@gmail.com

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Segundo dia de missão da ONG EU QUERO AJUDAR em Jaguaruana



Bem as novidades dessa viagem são tantas que não sei nem por onde começar...

Dá para imaginar que aqui estamos em calor de 35 graus? E u que odeio frio senti falta do ar atual ar do Vale do Paraíba.

A paisagem que encontramos hoje é totalmente diferente daquela que vimos em novembro, choveu na região e o verde das plantações nos emociona, as lagoas estão cheias!

Apenas hoje consegui ter acesso a internet, pois ontem chegamos na pousada umas 9 da noite, pois as missões na zona rural de Jaguaruana (Interior de Fortaleza) começaram tarde.

Iniciamos à tarde de ontem com entrevistas aos professores e alunos da escola Francisco Venâncio da Silva. Perguntamos sobre a biblioteca e sobre a sala de informática doados pela ONG e felizmente, tivemos uma resposta positiva de todos.

Hoje, nossa missão começou cedo, às 6:00 já estávamos em pá para irmos novamente para a zona rural da cidade.

Ao grupo do Projeto de Conscientização Política de Lorena (gente isso para vocês, lembrei de nossas reuniões!)

Fiz uma entrevistas com duas jovens maravilhosas que são as protagonistas que precisamos aqui, elas falaram de tudo um pouco, de leitura, de saúde e de política. Tivemos um papo muito legal sobre conscientização política (fiquei impressionada com as meninas). Elas falaram do que acham sobre compra de voto e sobre como acompanhar um candidato durante campanha e durante mandato.

As histórias das famílias são inacreditáveis, esse Brasil aqui não desenvolveu, na zona rural de Jaguaruana, o tempo literalmente parou. Não existe saneamento básico e em alguns casos nem mesmo energia elétrica.

O desafio da ONG aqui é incentivar uma cultura de conscientização de incentivo pelo crescimento. Se Deus quiser vamos conseguir!

Continuem acompanhando!

Um grande abraço para minha família (Waldir, Dolores, Sabrina e Paloma), amigos e Luiz Henrique. Estou com saudades!

Amanhã tem mais!












Vanessa Espíndola
vaespindola@gmail.com

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Mais uma viagem para Jaguaruana: O aprendizado está só começando...


É isso mesmo, mais uma vez terei a oportunidade de estar junto aos membros da ONG Eu Quero Ajudar em mais uma de suas missões. Para quem não conhece a história da minha ligação com a ONG, aí vai um pequeno resumo:

No início de 2007 quando estava no último ano da faculdade de Jornalismo, tive que escolher um tema para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), foi então que o Prof. Marco Bonito me indicou a ONG Eu Quero Ajudar. Lembro dele falando: "Olha o site deles e se você gostar, desenvolva algo que a agrade". Olhei o site e me encantei demais com o trabalho da ONG, resolvi fazer um trabalho de assessoria jornalística para meu mais novo amor: a ONG EU QUERO AJUDAR. Quando março já estava no fim, a amiga Jéssica entrou como parceira no projeto, a partir de então nos tornamos uma dupla que não imaginava que continuaria tão ligada aos trabalhos daquela organização. Em novembro/2007 fomos para Jaguaruana, interior de Fortaleza-CE conhecer os trabalhos realizados e as famílias beneficiadas. Foi uma das experiências mais fortes que tive, pois, conhecer a triste realidade de um Brasil que ainda não acreditamos que possa existir foi um impacto e tanto na minha vida. O TCC teve conceito A (Graças a Deus!), na apresentação contamos com a participação de todos os membros da ONG, o que nos fortaleceu bastante. Eu e Jéssica, continuamos com o trabalho de comunicação para a ONG Eu Quero Ajudar e é claro, com uma amizade que supera nossas (inacreditáveis) diferenças!

Agora que você conheceu melhor a história, vamos lá!

Em 10 de julho de 2008 iremos rumo ao Ceará para mais uma missão da ONG Eu Quero Ajudar, confesso que estou bastante ansiosa para rever histórias e pessoas diferentes.
Desta vez, a idéia é apresentar peças de teatro nos bairros, visitar famílias beneficiadas e aplicar questionários de pesquisa.

Tentarei fazer o que já deveria ter feito na outra viagem, fazer um diário dos meus dias em Jaguaruana. Tentarei mostrar através dos post's como será essa experiência.
A idéia é incentivar em você o mesmo sentimento que me move há anos: querer ajudar!

Irei colocar novos post's com entrevistas, fotos e vídeos toda noite, não deixe de acompanhar!

Malas prontas! Lá vou eu!!!


Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Marina, uma adolescente que, quando pode, fez a diferença em sua comunidade

Se existem jovens guerreiros neste país, a Marina certamente, é uma entre eles. Eu a conheci há dois anos quando trabalhava em uma escola como universitária bolsista, em uma cidade do interior de São Paulo. Já tinha dois meses que eu a observava. Voluntária aos finais de semana ela dava aulas de reforço para crianças carentes. Era instigante vê-la tão jovem dedicando-se à crianças como ela. A Marina não tinha a situação econômica muito diferente das crianças que ela ajudava o pai não trabalhava e mãe se virava em um bico ou outro, a renda da família não passava dos 300,00 reais por mês. Entre os irmãos, um estava preso e os outros, todos menores de 15 anos.

Dá para imaginar o contexto social da nossa protagonista?

Um dia eu não resisti e resolvi propor a ela um desafio: transformar as aulas de reforço em um projeto que envolvesse outros jovens. É claro que imediatamente ela topou, traçamos alguns objetivos e lá estávamos divulgando por toda a escola o projeto “Brincando e Aprendendo”. A diretora da escola, na época, achou um pouco arriscado, mas como uma boa gestora que sabe que pelo ECA, a escola deve incentivar e apoiar o protagonismo juvenil, abraçou a causa.

A idéia da Marina era fazer com que as crianças, que durante o final de semana, passavam suas horas nas ruas tivessem a chance de ficar na escola em aulas de reforço e oficinas de recreação com os jovens voluntários.

Para minha enorme surpresa, quando o próximo sábado chegou, a Marina tinha conseguido nada mais, nada menos do que 20 jovens voluntários. No domingo cerca de 60 crianças apareceram na escola, todas com autorização dos pais, da para acreditar que ela foi à casa de uma por uma das escolas, conversar com os pais? Confesso que fiquei assustada, não imaginava onde o protagonismo juvenil da Marina poderia chegar.

E lá se foram dias e meses do projeto, chego a me emocionar quando lembro da imagem dela e dos colegas pedindo “prendas” pelo bairro para oferecer almoço às crianças do projeto.

A iniciativa foi tão especial que o projeto foi eleito pela Diretoria Regional de Ensino da região para participar de um encontro que reunia jovens protagonistas.

Fui junto com Marina para esse encontro e para mais uma das minhas surpresas, ela me perguntou no meio do caminho: “Quanto estão pagando para nos mandar para esse encontro?”

Eu respondi que era mais ou menos um valor que veio a cabeça e ela disse:

“Poderíamos comprar presentes e mantimentos para a festa de Natal das crianças com esse dinheiro.”

Eu fiquei chocada, era a primeira vez que ela iria entrar em um hotel sofisticado, iria comer do bom e do melhor, encontraria jovens como ela e no entanto, não conseguia deixar de pensar na causa que tinha em mente: ajudar crianças carentes.

Chegaram as férias e o projeto teve uma pausa. Mas ao retornar as aulas a Marina tinha sumido da escola. Eu tentei entrar em contato, falei com professores e nada de saber da Marina.

Quando ela apareceu na escola e perguntei o que tinha acontecido Marina me confessou chorando que estava passando por sérios problemas. O pai bebia cada vez mais e agredia os filhos, além de obrigá-la a trabalhar e colocar dinheiro dentro de casa. Comuniquei a escola sobre o fato.

Alguns dias depois, fui transferida da escola em que tinha convívio com Marina. Fiquei um tempo sem saber o que tinha acontecido de fato.

Não tenho mais notícias de Marina, mas espero sinceramente que ela ainda seja a mesma sonhadora que conheci, que ainda tenha vontade de ajudar o próximo.

Espero, sobretudo, que existam no Brasil e no mundo jovens que mesmo em situações difíceis não deixem de ajudar.

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Conscientização: Quanto ainda vamos perder por sua ausência?

Extremamente chocada com a situação da Dengue no Rio de Janeiro, pus-me a questionar o problema. A verdade é que quando se fala em Dengue, pelo menos na cabeça de muitos, o que vem a cabeça são aqueles famosos cartazes sobre o mosquito transmissor e com vasos e garrafas de água. Está bem, você lê o cartaz, fica ciente dos riscos da doença e das estatísticas com numero de vítimas.


Eu lhe pergunto o que você faz?

Seguem duas alternativas:


Primeira: Resolve fazer algo em relação ao que leu, fiscaliza sua casa, evita pontos de água parada e procura realmente conscientizar as pessoas, mesmo que seja apenas na sua casa.
Segunda: Você pensa: Nossa, essa história de Dengue é perigosa mesmo...
Dois minutos depois, já nem lembra do que leu. Está bem, vamos ser mais generosos, você lembra do que leu, mas não põe, absolutamente, nada em prática.


Sejamos sinceros, muitas vezes acabamos não colocando em prática toda a informação que nos é passada. Mas por que isso acontece?


Por que a conscientização só chega quando a situação já está alarmante?

O caos em que se encontra o município do Rio de Janeiro deveria servir de lição para o resto da população brasileira. Deveríamos olhar para a situação e procurar nos conscientizar a respeito do problema.

A luta contra a Dengue deve ser diária e não adianta confiar apenas na eficácia dos panfletos e cartazes, que também são importantes, mas que só têm eficiência quando conciliados ao bom senso de cada um.

No ano passado, a cidade de Ubatuba-SP teve grande número de pessoas picadas pelo mosquito, resultado: em 2008, o índice praticamente caiu a zero, porque desta vez o poder público e o poder local uniu forças para combater o problema que deixou a cidade em pânico o ano passado.


Mas será que precisamos passar por uma epidemia para aprender a lição?

Quando somos capazes de abraçar uma causa e envolver nossa comunidade, as conseqüências do problema diminuem, basta colaborar.


A sua conscientização, neste caso e em outros casos, faz a diferença.


* Aproveito para indicar blogs de dois colegas que são a favor da conscientização de questões extremamente importantes, Meio Ambiente e Política.

Blog Natureza em Pauta
Jornalista Anne Rodriguez

Blog Por trás das Cortinas

Jornalista Hugo Luz

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Tenha uma ótima Páscoa

É período de Páscoa e o interessante é que neste tempo, mesmo que por um instante paramos para refletir sobre o sentido de nossas vidas. Que você tenham momentos maravilhosos ao lado dos que ama,

E que possa repensar suas atitudes,

E dizer “eu te amo” a todos que amamos,

E pedir desculpas aos que magoamos,

Que você tenha uma ótima Páscoa...

E que, principalmente, que seja mais feliz.